Somos egoístas em afirmar isso, mas o mundo acabou em algum dia ensolarado, mas não tão quente assim, de algum ano próximo ao final da década de 80. Nessa época, ainda podíamos dormir embriagados na praia de Camburi, ainda andávamos a pé da Escola Técnica até o Centro da cidade, ou de lá para Jardim da Penha, como se tudo fosse mais perto, como se tudo dependesse apenas de nossas pernas e de nossa vontade. Ainda pulávamos o muro da Escola sem o risco de sermos abatidos por um tiro...
Foi em algum dia de algum ano dessa década que os "bailes" pararam de tocar música lenta, entre sessões de músicas dançantes...precisamente, foi em 1987 que eu arrumei o meu primeiro emprego. Coincidência ou não, foi nesse ano que deixei de ser um adolescente feliz para ser um adulto preocupado com as contas... engraçado, até 1990 tudo era diferente... as músicas nos tocavam mais, os "rocks" eram mais divertidos, não se tinha dinheiro, e nem era absolutamente necessário... vivíamos com o que tínhamos e com o que podíamos...
Passo hoje em frente a nossa querida Escola Técnica, que me marcou muito mais que a faculdade que fiz, ou que qualquer outra éppoca de minha vida; que me ensinou a viver em grupo, que me ensinou valores e divertimentos simples... quem acharia graça hoje em fazer um macarrão com carne de porco as 3 horas da manhã (o Robson sabe do que estou falando, talvez o macarrão mais saboroso que comi em toda a minha vida, e olha que foram muitos...)? Quem acharia graça hoje em simplesmente estar junto de amigos, com ou sem dinheiro, com ou sem problemas, simplesmente para atravessar a noite conversando, ou jogando "war"... porém, quem não se lembra com muita saudade das inúmeras reuniões na casa do Robson, sempre na Ilha de Santa Maria, sempre para fazer as mesmas coisas, mas nunca para nós encarado como ROTINA?
Porque hoje, feios (quase todos), "velhos" (todos) e barrigudos (alguns), não nos encontramos simplesmente para CONVERSAR? Porque ensinamos aos nossos filhos tão pouco do que aprendemos (e isso é uma "mea culpa"), porque não os ensinamos a serem felizes, sem que de nada dependam? Porque hoje é tudo tão diferente, ou porque hoje somos tão diferentes em um mundo que ainda poderia, pelo menos para nós, continuar sendo o mesmo?
A vida nos fez perder a nossa maior qualidade, que é sermos felizes, com o que tivermos em nossas mãos, bastando apenas uns aos outros. Se conseguirmos reaprender essa simples lição, o mundo voltará a ser (quase) como antes. Mas "quase" também é só mais um detalhe...
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
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Onde andam nossas velhas fotografias?
ResponderExcluirPerderam-se nas mudanças,
na distância de nossas caminhadas,
transformadas em velhas fantasias.
Onde andam nossos sonhos?
Num diário empoeirados de um antigo baú,
Ou na poeira das estradas,
Aguardando que olhemos para trás.
Onde estávamos nas novas horas de nossas vidas
Quando a saudade explodia no peito
E nós, meio sem jeito
Olhávamos tristes as horas vazias.
Somos lembranças, bons momentos
Somos distância, desejos, lamento
Somos tudo que a vida nos deu
Somos vento.
Somos dois pontos de uma longa estrada
Somos muito, não somos nada.
Sobraram o silêncio, a distância, a saudade
E de um alegre sorriso, restou-nos lembranças.
Gerson Duarte
Vou postar seu poema....
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